quinta-feira, 9 de março de 2017

BIOGRAFIA






“Se nada mais serei senão meus versos”
 Marcos Loures
 


Hoje o que sou? – Não sei; e nem me importo.
Da Letra e da Palavra eu me alimento –,
Pois é meu ideal o meu alento –,
Abrigo mais seguro – um bom Porto...


Com elas aconselho – como exorto,
O que é para minh’alma bom provento,
E fico divagando algum momento,
O quê serei então depois de morto?


Não ligo; pois no Mundo da Escrita,
Minha ária – uma imortal – será bem dita,
Meus sentimentos às letras vão imersos...


Não me preocupo com biografias,
Só basta olhar as vidas das poesias,
Pois lá o que serei senão meus versos?




11/11/11

FÓRMULA DO SONETO








Para escrever soneto é preciso,
Ter aquele domínio do escandir,
E não deixar um verso frouxo e friso,
Mas um enleio só no exibir...

Não basta só vontade, mas ter siso
Juntar trabalho ao lume quando vir,
E ao perceber que houve prejuízo,
Queimar – se necessário –, e repetir...

A lavra leva lima e a loa a lua –
Razão e sentimento, enfim, juntos;
E a imaginação assim flutua...

Para atingir aquela perfeição,
Haja pesquisa e escrita de assuntos,
Até parece fácil, e não é não...


14/11/11

PANCADÃO






          “Observe, por exemplo, a mediocridade da sociedade atual, que valoriza canções que emburressem os ouvintes. Vivemos na geração da ‘eguinha pocotó’ e das cachorras. E poucos percebem que a mulher está sendo chamada de quadrúpede, cachorra ou égua”. E terminou: ‘Engolem isso sem o mínimo senso crítico. Não creio em outro mal fora esse. Pegue um grupo de pessoas e analise uma letra do Chico Buarque ou Caetano Veloso, por exemplo, e você ouvirá o comentário: “eu não tinha percebido que essa música dizia isso. ’ A maioria não consegue mais pensar porque não filtram o que ouvem.”

Marcos Cipulo, prof. e músico dr. em psicologia da personalidade UNIBAN. – Folha Universitária. Ed 280. – Jornal da Universidade de São Paulo. UNIBAN de 19 a 25 de Setembro de 2005.



Um neurônio se vai ao pancadão,
Aos poucos o pensar se esmorece,
Enquanto na estante apodrece,
A fonte do saber um livro vão...

Vai se formando a nova geração,
Com uma mente em que tudo se esquece,
No toque que apenas emburrece,
Do pocotó ao “Bonde do Tigrão...


A degenerescência cultural,
A perda do parâmetro moral,
Parece ser as leis – serem fomentos...


Na Era das cachorras – periguetes,
As popozudas jogam seus confetes,
Pra geração de asnos e jumentos...


24 de março de 2012, 07: 40


http://www.odiario.com/blogs/trivial/2012/03/20/a-culpa-nao-e-do-funk/

DELIVERY FAST- FOOD







Na luta vão da Hora dia-a-dia,
No cosmopolitismo, escravizado,
E Cronos nessa antropofagia
Nessa corrida sempre derrotado.

Enquanto avança a tecnologia
Produtos somos de supermercado
A comunicação está mais fria
E o sentimento sofre sublimado...

Sufoca-se naquela agitação
Onde ninguém têm mais tempo pra nada
Mas têm-se pra matéria e para posse...

Só cifras, fingimento e ilusão,
E tudo é  fast-food em pavorada
E até o orgasmo tem-de a ser precoce...


10/09/07






EU POR MIM







EU – Vamos fazer um jogo de perguntas e respostas? Eu falo uma palavra e vc diz o que vier à mente?

MIM – Tudo bem. Vamos ver o que sai.

EU – amor

MIM – Deus

EU – vida?

MIM – uma dádiva

EU – Dádiva?

MIM – Milagre

EU – Milagre?

MIM – Consciência

EU – Bem?

MIM – Luz

EU – Mal?

MIM – Iceberg

EU – Esperança?

MIM – Espera angustiante

EU – Sonho?

MIM – Nuvens

EU – Perdão?

MIM – Esperança

EU- Amizade?

MIM – Mistério

EU – Dor?

MIM – Mazela necessária, às vezes.
EU – Futuro?

MIM – Uma incógnita

EU – Presente?

MIM – Um caminho pela metade

EU – Morte?

MIM – Saudade

EU – Saudade?

MIM – Vazio

EU- Tristeza?

MIM – Morte

EU – Alegria?

MIM – Sorriso de criança

EU – Sexo?

MIM – Prazer

EU – Prazer?

MIM – Viver

EU – Viver?

MIM – Aprender e ensinar

EU – Dúvida?

MIM – Um ponto de interrogação

EU – Paciência?

MIM – Uma lesma fazendo um percurso de 100 km sem desistir de chagar no final.

EU – Eternidade?

MIM – Infinito

EU – Vida?

MIM – Uma hemera

EU – Vaidade?

MIM – Ilusão

EU – Ilusão?

MIM – Miragem

EU – Você por Você?

MIM – Eu por mim?...  Um observador que tem muito a aprender ainda... Que precisa viver mais a vida... Parar de preocupar com banalidades... Saber que é limitado... Que precisa se cobrar menos... E principalmente dar-se menos, ou seja:  à medida que o povo se der... Para depois não cair na frustração

Entrevista feita por EU a MIM na madrugada de sexta-feira às exatamente 05: 16 hs.


01/02/08

ELE COSTUMAVA AMÁ-LA

Foto: Boleganiki , iStock.by Getty Images



Conheceram-se no dia em que foram conferir a lista de aprovados. O grito fora unânime:

- Passei!

Um olhou para o outro e sorriram. Ali nascera um sentimento muito forte: o amor.

Fizerma as inscrições. Caíram na mesma sala. Estudaram até o fim. Casaram-se após a formatura.

No Rio de Janeiro ia acontecer um show de rock. Eles eram fissurados em rock: Iron Maiden, Megadeth, Metallica, Pink Floyd, Red Hot Chilli Peppers e Guns 'n' Roses, entre outros. Emerson não tinha o cabelo comprido, mas usava umas roupas a caráter às vezes. Alice também era discreta.

O hobby de Emerson era mexer com terra. Gostava de jardinagem. Durante o dia trabalhava em um escritório; à tarde, tirava a roupa social e ia para estufa, ou mexia no jardim em frente à casa.
Alice gostava de fazer bolos. Trabalhava num pet shop.


                     *                     *                    *

Apesar de curtir  rock, Emerson era calmo e equilibrado, diferente de alguns colegas que conheceu. Mesmo quando nervoso, tornava-se apenas sério e nada mais.

Amava Alice desesperadamente, não conseguia imaginar-se sem ela.

Um dia - depois de muitos anos -, vieram dizer para ele que Alice  o estava traindo. Ele apenas disse: "Não acredito! Mostre-me primeiro." Era difícil; então tudo estava bem.

Os boatos não cessavam. De repente toda a vizinhança comentava:

- Você viu Alice com fulano? Coitado do seu amrido, homem tão honesto.

- Quem nasce pra ser corno, vai ser até morrer.

                   *                       *                          *

Uma noite sentado no sofá assistindo ao jornal, enquanto Alice fazia o jantar ele pergunta:

- É verdade?
- Verdade o quê?
- O que andam dizendo por aí?
- Dizendo o quê Emerson!? Dá pra ser mais claro?
- Que você anda me traindo e...
- O QUÊ!? - ela começou a choramingar. - Você pensa isso mesmo de mim?
- Estou só perguntando... Calma! Eu acredito em você. Sim acreditava, pois tinha jurado para ela e ele mesmo que a amaria até o fim de sua vida.

Fizeram amor aquela noite...

            *                           *                                  *

Mentira ou não Alice passou a evitá-lo mais. Um dia estava menstruada. No outro dor de cabeça. Num outro dia cansada demais...

Numa manhã, enquanto tomava banho, ele ouviu o telefone tocar.

Deixou o chuveiro ligado e correu até à porta. Encostou o ouvido na porta.

- Oi querido.
Seu coração disparou.
- Não ele está tomando banho. Não ligue mais ouviu?

Acho que estou dormindo ainda. Deve ser um pesade, ele pensou.

- A que horas? No mesmo lugar? Tá bom então um beijo.

Às vistas de Emerson tornaram-se escuras. Chorou apenas.

              *                       *                           *

Procurou um detetive particular. Contratou-o. Pediu-lhe apenas fotos. Qeria um flagrante.

- Tudo bem. Daqui a duas semanas.

Terminado o prazo, o detetive chega, entrega-lhe os documentos:

- Eles vão se encontrar no motel tal... a tal horas desse dia...
- Obrigado. Aqui termina seu serviço.

Pagou o combinado e dispensou-o. Em seguida ligou para seu advogado. Afinal não queria dividir nada com Alice. Ela era a tridora nmão ele. Justiça seja feita.

No dia marcado, Emerson pediu lincença na empresa. Caminhou ao estacionamento, pegou o carro e foi ao motel. Chegando lá, subiram ao andar indicado e ao abrir a porta, uma surpresa: Ninguém!

- Cadê eles?!

Desceram as escadas o gerente apenas balançou os ombros indicando que estava mais fora de órbita que tudo.
Emerson se sentia humilhado demais. Sentia-se rídiculo com a cena.
- Não entrou nenhum casal aqui com esse nomes.
Foi para casa feliz da vida. Eu sabia meu amor. Tudo boato. Eu ainda caí nessa? Tremendo idiota!
Chegando em casa um choque maior:
As coisas de Alice não estavam lá.

- Será que ela foi embora? Não estou sonhando novamente.
- Calma Emerson! Você está muito nervoso! Beba um copo com água, ok? -Tentou amenizar Figueira. - Mas é o que parece, - completou.

Chorou muito; por vários dias.
Então era a vingança por eu não ter acreditado nela - sentenciou.

Procurou ligar para os parentes dela, os amigos e nada. Tentou todas as formas de comunicação. Jornais, revistas, televisão, panfletos, montou até uma central, mas nada. Quando ligavam ou era trote ou alarme falso.

- Eu te perdôo querida, mas volte. falava para si mesmo.

                      *                    *                        *

O tempo foi passando. Ele acabou se esquecendo.
Soube depois que tal Fulano, também havia fugido deixando a mulher com dois filhos. Depois da aceitação, entrou na justiça para separar pelo litigioso. Agora livre, retornou às suas atividade.

O jardim que estava um tanto abandonado e esquecido, pegava nova viço.

Num domingo pela manhã um amigo veio visitar-lhe.

- Tudo bem Emerson?
- Como vai Tadeu? Puxa cara há quanto tempo!
- Que o diga os meus fios de cabelos brancos - ironizou.
- Entra aí.
Ele entrou
- Aceita um café? Água? Suco?
Emerson ligou o rádio numa estação de rock.
- Como nos velhos tempos hein? Recuperou-se?
- E até hoje nada... Precisamos caminhar a vida não para. Mas vamos falar de outra coisa. O passado não retorna nunca.
Saíram em direção ao jardim. Emerson continuou o seu serviço, limpando as plantas.

Conversaram sobre vários assuntos. O rádio tocava as canções envenenadas...

- Nossa como suas plantas estão viçosas, mais vivas, mais bonitas. Qual é o segredo?
- Adubo - ele respondeu.
Nessa hora,começou a tocar a música "I used to love her" do Guns 'n' Roses. Emerson aumentou o volume e comentou:

- Essa é a minha música preferida...



               

30 - 31/ 01/ 07 - (in Salpicos e Borrifos)



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

“ THE STAND”






(for Stephen King)

“Um vírus tão mortífero, letal
Jogado, foi jogado pelo ar;
Só para destruir – para matar
E teve a luta, então, do Bem com Mal...”

...............................................................

Sentando observando a branca neve
Stuart fica pensando por um breve
E rápido momento – com’um prólogo
Começa a conversar em seu monólogo:

Estou muito confuso – muito ainda,
Estou sempre buscando as respostas
Mas quem vai responder-me? Dói-me as costas
E as pernas é uma dor tremenda – infinda
Eu quero! – Com quero – entender...
Mas agora quem vai me responder?!...

Eu não sei como tudo acontece
Era de tarde, o céu escureceu
Um aguaceiro enfim, do céu desceu
A chuva também trouxe seus perigos
Um guarda – nome Champion – adoentado
Tossia tanto, tanto – que coitado! –
N´imaginava o que viria ao mundo –,
Falou-me, então, d´um tal Homens das trevas.




“– Tentei fugir amigo, mas não deu
Com seus sofismas muita gente enleva
Não sei de nada que me aconteceu...
Disseram-me alerta! – só alerta!
Alerta! Pois deu pane no sistema...
Então, pelo visor,  aquela cena
Deixou-me horripilado! Eu vi deserta
A Terra toda. – Vi vazia a Terra,
Como se fosse numa feroz guerra
Na base  militar – de portas foscas –,
O cientista sempre a me gritar:
‘Tranque’ os portões pro vírus n’espalhar!
Aqui pessoas morrem como moscas!
O povo pensará qu’é uma gripe
Nem nós sabemos o vírus que é...!’”

“Saí desesperado com meu jipe”
‘...nós vamos enrolar o povo até
Acharmos uma boa solução...’
“Foi isso apenas a conclusão”

Passados alguns dias, os soldados
Chegaram já cercando toda  vila
Nós éramos agora os procurados
Adeus a convivência tão tranqüila,
Nós fomos pra cidade de Vermont
Num centro de doenças – nada bom.
Ficamos como símplices cobaias.
O tempo foi passando, foi passando,
Então dentro do quarto preso – ai as
Minhas idéias só se conflitando
Ao me lembrar daquele ser trevas...





Eu tive muitos sonhos n’hospital
Eu caminhava sobre um milharal
Sentindo ao longe a música na relva
Estava, então, descalço – senti frio.
“–  Bem vindo à minha casa texano
Me chamam de mamãe Abagail
Escute essa mensagem  que conclamo
Venha-me visitar, você e os seus
Amigos para aquele gran confronto
Vocês serão guerreiros do bom Deus
A tempestade vem. Você está pronto?!”

Eu perguntei-lhe, então, que tempestade?
“– A tempestade dele – Randall Flag
Então não perca muito tempo! Pegue
Os seus amigos, venha pra cidade!...”





Quando virei pra trás, que monstro horrível!
Com ratos – muitos ratos – o seguindo...
Olhar tão rubro, opaco, insensível...
Mas acordado a imagem foi sumindo...
No quarto, então, fiquei desesperado
Pois imagine só estar trancado?!
E sendo, então, cobaia sem saber
O quê virá ou qu’está pra acontecer...

No hospital só eu sobrevivi;
Ainda havia um médico doente,
Não me aceitava por ser resistente
Lutei. Matei o médico. Fugi...
Pensei que não estava em  minha terra;
Mas ao olhar pra cima, a bandeira
De meu país me disse: “Vá a guerra!
Pois essa é a batalha derradeira”
Então andei até não poder mais
E pelo meu caminho tanta gente
Estava apodrecendo lentamente
Assim como também os animais...
Não posso mais andar...O quê eu faço?!!!



Ao longe eu avistei um casarão,
Com um senhor idoso a pintar
Um quadro colorido em profusão
Me convidou depois para seu lar
Eu vi um animal – eu vi um cão
E disse para ele: é o primeiro
Cachorro que eu vejo desde então...

“– Assim com’eu ele é também guerreiro,
Meu nome é Glen Bateman, professor,
D’História. Lecionava em faculdade,
Agora não sou mais; quanto terror
E pesadelo tenho . – Que saudade
Eu sinto dos alunos; do calor
Eu tenho tido sonhos, ou visões,
Com uma anciã – senhora negra –,
Estou senil, não tenho ilusões,
Mas ela colocou-me esta regra:
Pr’eu ir para cidade de Nebraska...”

Eu recebi também essa mensagem,
Do meu sapato só sobrou a lasca,
De andar, andar, andar nessa viagem.

Passados alguns dias um casal
Apareceu também nesse lugar
O rapaz jovem  meio radical,
A moça por quem fui me apaixonar –
E claro que eu não tinha a intenção
Mas percebi que Harold – o rapaz –,
Gostava muito dela – de paixão.
Mas eu não pude imaginar jamais
O que estava por vir – pra acontecer.

Voltando ao controle de doenças,
Para o grande poeta poder ver
Que só havia, agora, lá  imensas
Carniças, multidões e só  fedor...
Cadáveres, cadáveres malsão
Com vermes, varejeiras, podridão
Começamos, assim, nossa jornada...



Chegamos na “Cidade Prometida”
Pensei que  fosse já o fim da lida,
Mas inda tinha a última batalha,
Exterminar o Flag – o canalha...

Eu lembro-me do Nick – amigo mudo,
Nós lá no sindicato num estudo –
Aprimorado estudo – de repente
Sentimos algo estranho – um aviso
E Nick, então correu bem velozmente
E foi no guarda roupa num preciso,
E tão detetivesco, intuito forte
Salvou-nos, com sua vida, de uma Morte...



Mamãe Abagail tinha sumido,
E nós ficamos bem desesperados,
Fiquei meio confuso e perdidos,
Mas ela apareceu – dias passados –,
Passou pra nós sua última visão...

“– O pai me disse para eu voltar,
Para dizer-lhes da preparação,
Que vocês quatros irão enfrentar,
Stuart, Glen Bateman , Ralf e Larry,
Sairão daqui imediatamente,
Andando sob a lua e o sol quente,
Ser rápida preciso antes qu’encerre
O meu último fôlego de vida...
Caminharão com a roupa do corpo,
Não levarão consigo alimentos,
Deus proverá em  todos os momentos,
Em frente Flag – aquele ser tão torpo.
Cuidado! Um dos quatro cairá,
Eu não consigo ver. Não sei quem é,
Mas, por favor, guerreiros tenham fé,
Não há mais tempo. Partam! Partam já!”

Depois das instruções cerrou seus olhos,
Pensei comigo então: Quantos imbróglios!
Então partimos logo em seguida,
Sem levar roupa, água ou comida,
E caminhamos por tantas estradas,
Quantos sóis quentes. Quantas madrugadas,
Andávamos, andávamos então,
Olhando o horizonte – a imensidão
As casas, os caminhos – cemitérios
São lápides, sarcófagos agora...
O mundo está parado – jaz a hora
Morreram presidentes, reis, impérios,
Não resta quase nada de uma raça,
Aqui na Terra tudo, tudo passa...



Então chegamos num abismo infindo,
Los Angeles estava d’outro lado,
Não dava pr’eu  ficar ali parado,
Kojak foi, os outros foram vindo
Estávamos, então, já lá embaixo:
Subir não é tão difícil, eu disse – acho.
E escalei, então, o morro acima –
oh mal sabia eu da minha sina,
Escorreguei; caí pela encosta
Perna quebrada com fratura exposta,
E Larry não queria, então, mais ir
Mas eu falei-lhes: devem prosseguir...
Oh foi dificultoso convencê-lo.

“– Oh Deus! Oh Deus! Não dá para entender
Oh como vou deixá-lo pra morrer?!...
É este o Deus de amor? Que pesadelo!...”

Eu respondi-lhe, então, pra que ter medo?
Se Deus quiser que eu coma mandará
Comida para mim – como o maná –,
Qu’Ele enviou pr’aquele povo azedo,
Ou mandará os corvos com comida,
Não foi assim com o profeta  Elias
Metido nas montanhas vários dias?
E o povo do Egito na gran lida
Do sol ardente, cáustico e incerto,
Sentiram muita sede – muita sede.
E logo à frente a rocha – uma parede,
Moisés falou e dela verteu água,
E o povo refrescou aquela frágua?
S’Ele quiser que eu  beba proverá
A mais gostosa água mineral
Do firmamento chuva mandará –
Sim chuva temporã, torrencial...,
E Larry recostou-se ao meu peito
E debulhou-se em lágrimas – chorou.
Eu confortei-o – fez-lhe algum efeito.
E a contra gosto disse-me: “Eu vou!”
Vão logo meus amigos guerrear
Em Los Angeles – grande Babilônia,
A Zona Livre – nossa gran colônia –,
Espera-nos pro mal ter que findar...
Porém Kojak, o cão,  não quis partir
E Glen chamou, chamou ele não foi.
“– Até os animais stão pra servir!”
Disse-nos Ralf um vendedor de boi...



Partiram meus amigos – não os vi mais
Fiquei ali naquele sol dourado,
Com cefaléia e meu rosto queimando,
Me resfriei. Pedi pra Deus a paz.
Kojak, o cão, trouxe pra mim a caça.
Senti falta da Frannie – minha amada
Olhando a bela lua branca, baça...

U’impulso muito forte m’abateu
E eu a me arrastar e m”arrastar
Subi o monte aos poucos que cedeu
Mas Tom me deu sua mão pr’eu segurar,
Depois de alguns momentos o que vimos –
Distante, bem distante, o cogumelo
O fim de Randall Flag e seus ensinos,
Da Morte e seu cavalo amarelo...

Estava mal – muito gripado,
Mas meu amigo Tommy, do meu lado,
Falava para mim: “Não morra amigo!
Você morrendo, eu ficarei sozinho...
Ficar na solidão desse caminho,
Eu temo muito Stuart, fica comigo!
Você não come Stuart. Tem Que comer!...
Beba essa canja quente qu’eu te fiz!...
Deguste, por favor, pra não morrer...”

A minha vida estava por um triz
E Tommy m’entupiu de comprimidos,
Eu perguntei-lhe, então: Tommy m’explique –
Após sentir mais forte meus sentidos –,
Se esse remédio é o certo?



 
                                                “Foi Nick

Ele fala comigo no meu sonho,
Sim, toda vez que os problemas exponho,
Ele  ajuda a encontrar a solução,
Eu sozinho naquela solidão,
Chorava, só chorava por você,
Então Nick perguntou-me o por que.”
‘Por que chora aigo? Por que o pranto?’
Apontei-te então aqui no canto,
‘Ah, vem comigo então!’, disse e chegou,
Ali numa farmácia e me mostrou
Qual o remédio certo pra te dar
Ele falou que você vai se curar...

Adormeci. Depois de longos dias,
Eu acordei lá fora – lá no banco.
Vi Cullie ali em seu choro tão franco,
Olheiras roxas vi das noites frias,
Que grande amigo ele se demonstrou
Sempre ao meu lado dando me esperança.
A força de vontade me curou...

Peguei depois um carro pela estrada,
Com um cadáver podre, enlameado,
Limpei meu carro, então, e já cansado
Pisei para partir na madrugada...
Nós três, então, sonhávamos voltar
Pra Zona Livre – para nosso lar –,
Queria ver a Frannie e meu bebê,
Rever amigos que ficaram lá
Mas sei que meus amigos foram já –
Senti, previ, não sei dizer porquê.
Depois que Abagail! Mamãe – partiu,
Ao nós partimos para enfrentar
O Randall Flag senti um calafrio,
E Harold matava-se ao ar
Um tiro de revólver na cabeça,
Da pólvora senti o gosto; e,  a dor
Em meus miolos – dor estranha – avessa.



Mas começamos ir lá pra Nebraska,
Estava,então, uma forte nevasca,
Depois d’andar chegamos lá então...
Estávamos em casa – que emoção...
A Frannie havia, a pouco, dado a luz,
A uma menina linda, linda, linda,
A minha alegria era infinda.
Agradeci a Deus e a Jesus!
Vocês são meus tesouros – minha vida,
Que vão cicatrizar a gran ferida
Qu’está ainda aqui dentro do peito
Quando eu perdi a minha esposa Helena...
Não quero me lembrar daquela cena...



Agora sei que foi qu’aconteceu
O vírus tão mortífero – letal,
Foi Flag que o criou – aquele tal
E quando o mundo todo feneceu
Eu sinto não findar – eu sinto ainda
Esse Armagedon – a luta infinda –,
Mas Deus nunca permite o  Mal vencer
Os seu heróis estão sempre a colher
Pois ser todo d’Ele o fim do mundo.
Eu fico aqui pensando bem profundo
E sinto que a batalha não cessou
Pois tenho novos sonhos e visões –
Vou repassar, por isso – sim eu vou –,
Que ás vezes, chega a dar-me convulsões
Pessoas mil morreram espalhadas
Em derredor do mundo solitário,
Tantas perguntas – hoje já calados,
Nos acontecimentos sem tamanhos
No vírus, violência dos saldados.
Os planos do Senhor são mut’estranhos
Estranhos como os tempos passados,
Qu’Ele pediu um’ arca pra Noé –
Noé logo aceitou – com muita fé.
Testou a obediência de Abraão –
Ele se pôs de pronto desde então .
Provou também a fé do grande Jó –
Que ficou pobre, podre – quase pó.
E carregou o Jonas na Baleia –
Que vomitou depois ele na areia.
Que falou pra Ló n’olhar pra trás,
Mas a esposa dele n’aguentou
E desobedeceu a Deus. E mais
Estátua, então, de sal se transformou...
Eu sinto que não posso mais fugir,
Pois muitas coisas. Tem-se revelado.
Não quis ver, nem falar e nem ouvir
Não deu. Mas sinto estar bem preparado
Estou fortalecido. Estou são;
Espero  minha  próxima missão!...

05/02-12/03/1999