terça-feira, 24 de janeiro de 2012






A minha fé é viva e não preciso
Criticar  ateísmo de ninguém,
Por que tanto descaso e desdém
Demonstra-se, então, um indeciso...
 
A minha fé é prova que improviso,
Em meio à dor, porque culpar alguém?
Passamos pelo mal e pelo bem
Há sempre ao caminho um choro, um riso...
 
A minha fé é chama que aquece,
E irradia luz – transmite amor,
A que quiser colher comigo a messe...
 
A  minha fé partilha esse segredo:
Ser sábio e sorrir – seja  o que for –,
Agradecer a vida logo cedo



 28/02-01/03/2009

FEITIÇO DE MULHER





 
                                          À  querida amiga Milla Pereira
Tens um carisma intenso – apaixonante;
E assim como sereia ouvir teu canto,
Em prosa e poesia, a cada instante,
Um bem à alma vem; um acalanto...

És Circe que enfeitiça com carinho;
Helena na beleza em formosura;
Conduz qual Beatriz – mostra o caminho –,
No olhar de Capitu toda ventura...

Nos lábios de Iracema, a cobiça
Do fruto, então, que, – (Eva) –, me oferece,
Provocando celeuma e muita liça
Aos outros pretendentes, tua messe...

Estar contigo é bom. E quem não quer
Provar desse feitiço de mulher?!

12-13/04/09

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

PASSAPORTE DA LEITURA E DA ESCRITA

Digitalizei esse livreto e compartilho com todos aqueles que amam a escrita e a leitura. Aproveitem as dicas dadas.

























quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O VISITANTE





Dessa forma veio a mim...

Diziam que era assim:
Quando ia ao seu serviço,
José sempre visitava –
Era de praxe – de início,
Entrar na igreja e orava.


Uma oração diferente,

Pois conversava somente,
Sem genuflexo, nem nada.
Com Jesus Cristo dizia,
Era um gostoso “bom dia”!
Indo – depois – pra jornada.


Pela manhã, ei-lo lá,

Para dizer um olá.
Em outras vezes chorava,
Onde expunha sua dor,
Apenas lágrimas dava,
Sem murmurar – sem rancor...


Mas teve um dia, porém,

Em que não veio José,
Tinha quebrado seu pé,
No hospital chega alguém:
Caro José! Sou Jesus!
Vim te dizer um olá...



28/10 – 22/11/11

NÃO CANSA






Eu não vou mais buscar,

Não quero acreditar,

Na vida de labuta...


Por isso, em mim, não cansa,

A chama da esperança,

Em hora diminuta...


E vejo em meu caminho

Um certo desalinho –,

Talvez pra que eu desvie.


Por mais que fique triste

Eu sei que acima existe

A fé que já senti e

Fica pulsando ao peito

Causando grande efeito.

O1-O9-11

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

MADRUGADA





Horas silenciosas,
A brisa meio imprecisa,
Prenuncia o dia.


17 de janeiro de 2012, 01:41:04

ARCO-ÍRIS




Surge o arco-íris
Logo após a chuvarada
Pacto de Deus


18 de janeiro de 2012, 02:57:22

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A VIDA SURPREENDE!!!








Eis que a vida ainda surpreende
Hoje soube que a dor é presente
Na elaboração de outro dia feliz

Nos porões das dores se aprende
Que a mente manda e o peito atende
Se a alma não for tão meretriz!...”

                                                        Arão Filho

A vida surpreende – é bem verdade
O que sonhamos, muda de repente;
Restando só lembranças pela mente,
Uma esperança ainda – uma vontade...

As perdas no caminho – a soledade
A dor só nos ensina – nunca mente
Pois logo adiante – mais à frente –,
Encontra um novo  amor – uma amizade...

É necessário, às vezes o porão,
E contemplando assim a escuridão
Ao ver a luz, a alma é mais feliz...

A vida surpreende e torna hábil
Perseverante, enfim, até mais sábio
Se a alma nobre for – não meretriz...

                                            21/12/07  

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

MEU DEUS





1
                                                          Apenas 10% do poema

Deus é beleza amor e a bem-aventurança
É o bem a compaixão e a paz na tempestade
É a pérola mais bela a luz e a brisa mansa
É o linho a lua o brilho o lírio a eternidade...

É a rosa de sharom daquele vale o lírio
É o capitão que guia e que conhece a rota
É labareda estrela é chama é sol é cirio
É a água pura então que nunca se esgota...

É a flor que desabrocha - é o fruto que se forma
Um sorriso gostoso um novo nascimento
É a aurora boreal e o ângelus que torna
É a chuva o arco-íris neve névoa é o vento...

É a carne sendo uma então - depois um feto
É a arquitetura toda do joão-de-barro
É a teia de aranha o mel e o completo
O ninho o açafrão o azeite puro ao jarro...

É o verão outono inverno a primavera
É a endorfina ao cérebro é alegria
É a vitória a vida o sempre e não "Já era!"
É a madrugada vinda é a tarde é todo dia...

Ternura caridade vitória e a saúde
É o oceano nuvem concreto e o abstrato
É benção é bonança é justo é juventude
É a aguia o leão a muçurana o mato...

De todos paradigmas é o hipodigma
É semente que brota é a renovação
É a Prosperidade e a abundância digna
É o pólen que que inspira a poesia então...

É o prazer sensato é o doce da fruta
É a vida a pulsar de toda forma viva -,
Da simples bactéria a serpente astuta -,
É a força é o vigor é energia ativa...

É o caminho certo iluminado estreito
É o ômega também o meio o limiar
É a reta o infinito é tudo que é direito
É ajuda é amizade é a seclusão do par...

É orvalho o sereno o amanhã otimista
É a harmonia as cores é a união
É o mentor o mestre é maior artista
Enfim é tudo mais que isso: É a perfeição.


                      31/04-01/05/07


(Uma observação: Esse poema foi escrito no hospital, quando minha mãe teve uma crise hipertensiva, levando-a a um AVC. Não creio num Deus que goste de ver seus filhos sofrerem para poder servi-Lo. O Deus que eu creio é esse que vocês leram. Obrigado)

PÓLENS DEGENERADOS







“Ah, monstruosidades chorando seu manto!
Troncos dignos de máscaras, ridículo, desnudos,
Pobres corpos torcidos flácidos ou ventrudos,
E que o útil Deus sereno e sem cansaço
Logo à infância envolveu em tristes cueiros de aço
E vós, mulheres, aí lâmpadas funerais,
Que à podridão corrói, vós, virgens que levais
Do vício maternal a hereditariedade
E todos os horrores da fecundidade! “
                   Baudelaire

“E por se multiplicar a iniqüidade,
o amor de muitos esfriará”
                  Mateus 24:12

“Não! Não era o meu cuspo, com certeza
Era a expectoração pútrida e crassa
Dos brônquios pulmonares de uma raça
Que violou  as leis da Natureza”


             Augusto dos Anjos

Da edênica imagem, decadência,
E da pureza à pornografia,
Da beleza in natura à falsa essência,
Da espontaneidade à hipocrisia...
Do verdadeiro amor ao interesse,
Do carisma ao caos imediato,
Tudo esmorece então; definha, vê-se
Um anacoretismo avante – é fato...
A moral se corrompe velozmente,
As leis da Natureza, violadas,
Epicurista, à moda, é ser somente,
Medusa às almas são petrificadas...
Um horroroso e hediondo hedonismo,
Que até Narciso inveja e reivindica,
O trono outrora seu... Vai-se o lirismo
E a compaixão da alma se abdica...
Esgota-se o amor real – sincero,
E a verdade vai desvirtuada
E uma ansiedade – um desespero –,
Trazendo essa amargura à caminhada...
Os laços de famílias são rompidos,
Há sempre um novo abuso – novo incesto –,
Os matrimônios já não mais são fidos,
E forma-se um novo manifesto...
Tanta pedofilia corre solta,
A vida é mais barata que um centavo,
Tanta perversidade que revolta,
Que pra viver, precisa de ser bravo...
É matri-homi-frati-sui, parricídio,
Uma selvageria abundante,
Só dolo e enganação e infanticídio,
E a promiscuidade segue avante...
Jesus está anêmico – exangue –,
De tantos sanguessugas e vampiros,
Venderem, leiloarem, o Seu sangue
A tolos sacrifícios e suspiros –
Suspiros de ilusão d’um céu aquém –,
E cada dia aumenta mais o caos,
E o Paraíso ofusca-se além,
E vencem mais corruptos e maus...
A esperança morre a cada dia,
A vida torna insignificante,
O dolo, a enganação, hipocrisia,
Vai dominando rápido – num instante...
É tudo tão normal ultimamente,
O que era então contrário, hoje não mais,
Devora-se a si mesmo – sua semente –,
Qual Cronos aos seus filhos, tão voraz...
No ar tantos venenos respiramos,
E aos alimentos, manipulação,
E a ética, ao  ralo, vai-se aos anos
De cada descoberta desde então...
E ao paladar, aroma e conservantes,
Que a essência in natura não é sentida;
Às plantas, agrotóxicos – abundantes,
Será que ingerimos mesmo, vida?
Então nascemos já degenerados;
Enfermos, decadentes, carcomidos;
E alguns neurônios falhos pelos lados,
E outros sentimentos corrompidos...
A imagem e semelhança do Eterno,
Só resta um rascunho assim mau feito,
E uma saudade aquém ao peito ermo,
Que mais e mais se torna o eleito...
É triste de dizer, vejamos nós, que
Possuímos a bendita consciência,
Mais reles que qualquer verme do bosque,
Há muito se perdeu a referência...
E assim que nascem crimes horrorosos,
E a Fúria e a Discórdia são as musas
Que inspiram quais perfumes venenosos
Sandices sem vergonhas e sem luvas...
A treva cobre Terra lentamente,
Da Luz vai se afastando a Humanidade;
E nesse lusco-fusco, cada mente
Enferma, a paz procura e tem saudade...
Nos peitos há o tédio que os consomem,
Descobre-se, então, a realidade:
Maior que o Universo, em cada homem,
Buraco negro qu’há da vacuidade...
09/04-26/10/08